Carcinoma da Tiróide

A Glândula Tiróide

Carcinoma da Tiróide

Causas

Prognóstico

Carcinoma da Tiróide

O carcinoma da tiróide, também denominado por cancro da tiróide, é um tumor maligno da tiróide.

Tipos de Carcinomas da Tiróide

O tratamento e o curso da doença dependem do tipo de células da tiróide a partir das quais o carcinoma se desenvolve. O carcinoma da tiróide afeta mais mulheres que homens e a idade média de diagnóstico é 45-50 anos.2

 

Carcinomas diferenciados

Os carcinomas diferenciados são o tipo mais comum de carcinoma da tiróide (>90% dos casos) e incluem os tipos papilar e folicular.2 As suas estruturas celulares assemelham-se a tecido tiroideu normal, pelo que normalmente são menos agressivos. Tal como no tecido tiroideu normal, as células do carcinoma diferenciado da tiróide têm a capacidade de absorver iodo e, por isso, podem ser seletivamente tratadas com cirurgia seguida de tratamento com iodo radioactivo.

 

Carcinomas Medulares

Os carcinomas medulares representam <5% de todos os carcinomas da tiróide.2 Este tipo de carcinoma da tiróide é muitas vezes genético e tem origem nas chamadas células parafoliculares (células C). Estas células encontram-se em pequenos aglomerados na tiróide e produzem a hormona calcitonina, que é responsável pela manutenção da saúde óssea. 

 

Carcinomas indiferenciados ou anaplásicos

Os carcinomas indiferenciados ou anaplásicos são uma das formas mais raras de carcinoma da tiróide e representam cerca de 1% dos casos.2 Esta é a forma mais agressiva de carcinoma da tiróide e, pela altura do diagnóstico, os órgãos vizinhos já se encontram muitas vezes afetados.1

 

Carcinoma Medular da Tiróide

O Carcinoma Medular da Tiróide (CMT) representa cerca de 1-2% de todos os tipos de carcinoma da tiróide e pode afetar pessoas de qualquer idade. O CMT é diferente de outros tipos de carcinoma da tiróide, uma vez que tem origem nas células parafoliculares (geralmente denominadas de células “C”) da tiróide, que têm caraterísticas tanto de células endócrinas (relacionadas com hormonas), como de células nervosas (relacionadas com o sistema nervoso).

As células C produzem uma hormona chamada calcitonina que influencia a regulação do cálcio no corpo que, por sua vez, é especialmente importante na saúde óssea. 

 

Carcinoma medular da tiróide

O Carcinoma Medular da Tiróide (CMT) representa cerca de 1-2% de todos os tipos de carcinoma da tiróide e pode afetar pessoas de qualquer idade.

Existem dois tipos principais de carcinoma medular da tiróide:

  • Esporádico: representa cerca de 75-80% dos casos de CMT. Afeta geralmente adultos.
  • Familiar (hereditário): representa cerca de 25-30% dos casos de CMT e pode ocorrer a qualquer idade. Este tipo de carcinoma medular da tiróide deve-se a um gene herdado chamado RET, que tem uma probabilidade de 50% de ser transmitido de pais para filhos. 

Nos últimos anos, a investigação na área da genética transformou o nosso conhecimento acerca de como é que o carcinoma medular da tiróide se desenvolve. Existem vários subtipos deste tipo de carcinoma, dependentes das diferentes mutações genéticas que podem afetar diferentes células do corpo e podem levar ao desenvolvimento de outros tumores ou doenças, que podem ocorrer simultaneamente ao carcinoma medular da tiróide. 

Os testes genéticos são recomendados para quem tem um diagnóstico de carcinoma medular da tiróide, visto que ajudam a identificar as melhores opções terapêuticas para o CMT, bem como para outras doenças. Permite ainda confirmar se existe a possibilidade do carcinoma ser transmitido aos filhos. 

Quase todos aqueles que têm mutações genéticas associadas a carcinoma medular da tiróide familiar irão eventualmente desenvolver a doença – a remoção cirúrgica preventiva da glândula tiróide pode, nestes casos, ser recomendada.

Se tem uma história familiar de carcinoma medular da tiróide, fale com o seu médico, enfermeiro ou profissional de saúde, de modo a aferir a possibilidade de fazer um teste genético. 

 

Radioterapia

Se as células cancerígenas se propagaram para outros tecidos do pescoço e se começa a sentir os sintomas associados, ou se o cancro se tiver propagado a outras partes do corpo, o seu médico pode falar-lhe acerca de radioterapia. Ele irá explicar-lhe o processo exato de tratamento, que dependerá de variados fatores, como o seu estado de saúde geral ou a severidade (estadio) do carcinoma. A radioterapia pode ser feita fora do corpo (radioterapia externa por feixe de radiação) ou de forma interna.

O feixe de radiação externa pode causar irritação e inchaço local durante algumas semanas após o tratamento. Poderá notar irritação da pele, gengivas doridas, rouquidão ou inchaço da garganta. Estes sintomas habitualmente são geridos de forma relativamente simples e desaparecem após algumas semanas. Contudo, sintomas mais graves podem ocorrer, dificultando os atos de comer e beber. 

 

Terapêutica direcionada (também conhecida como terapêutica sistémica)

Se o carcinoma medular da tiróide está numa fase avançada e está a progredir ativamente, a terapêutica direcionada pode ser adequada. Existem dois medicamentos específicos, chamados inibidores da tirosina quinase, que foram recentemente aprovados para utilização na Europa, na América e noutras partes do mundo. Estes medicamentos são comprimidos, tomados todos os dias, e podem atrasar a progressão do carcinoma. Contudo, estes inibidores da tirosina quinase têm um perfil específico de efeitos secundários que podem ser significativos, pelo que algumas pessoas necessitam de uma dose reduzida para conseguir controlá-los.1

Uma vez que estes medicamentos podem causar hipotiroidismo, caraterizado por níveis elevados da hormona estimulante da tiróide (TSH, thyroid stimulating hormone), é necessário fazer análises sanguíneas de forma regular, de modo a monitorizar os níveis de TSH.

 



1. Schlumberger M and Pacini F. Thyroid Tumors 2nd Edition. Editions Nucleon, Paris. 1999.
2. Howlader N, Noone AM, Krapcho M, et al. SEER Cancer Statistics Review,1975–2011, National Cancer Institute. Bethesda, MD, http://seer.cancer.gov/csr/1975_2011/, based on November 2013 SEER data submission, posted to the SEER web site, April 2014. 
3. Hay ID, Klee GG. Thyroid cancer diagnosis and management. Clin Lab Med. 1993;13:725-734.