Tratamento Inicial

Tratamento Inicial

Cirurgia

Tratamento com iodo radioativo 

Avaliação do resultado da terapêutica inicial2,8

Avaliação do resultado da terapêutica inicial

Provavelmente o seu médico irá querer voltar a vê-lo 3-6 meses depois de ter iniciado o tratamento.

Este acompanhamento servirá para ajustar a dose da hormona tiroideia em comprimidos e para assegurar que o carcinoma foi tratado com sucesso. Esta monitorização pode envolver diversos testes e exames, onde se incluem:

  • Palpação do pescoço
  • Análises ao sangue – para avaliar os níveis da hormona tiroideia e da tiroglobulina (Tg)
  • Ecografia ao pescoço
  • Exames imagiológicos ao pescoço/corpo, utilizando raio-X ou tomografia por emissão de positrões com fluorodesoxiglicose (FDG-PET)
  • Exame de corpo inteiro

 

Análises sanguíneas à Tg

A tiroglobulina (Tg) é uma proteína produzida exclusivamente pelas células da tiróide, pelo que avaliar os seus níveis no sangue é uma forma importante de verificar se o carcinoma foi tratado com sucesso. Após a cirurgia e a ablação, todas as células da tiróide devem ter disso destruídas e, por isso, os valores de Tg devem ser indetetáveis.  

Determinar os níveis de Tg envolve tirar uma amostra de sangue que depois é analisada no laboratório. Para fazer esta determinação, pode ser importante ter níveis elevados de TSH antes de retirar a amostra de sangue. Com a ablação, pode-se aumentar os níveis de TSH de duas formas: interrompendo a toma de hormona tiroideia; ou mantendo a terapêutica de substituição da hormona tiroideia e administrando rhTSH. A ambos os casos chama-se exame de estimulação de Tg.

 

Ecografia ao Pescoço

Esta é uma técnica com elevada sensibilidade, utilizada para identificar um potencial carcinoma na tiróide. Envolve a movimentação de um instrumento ao longo do pescoço; não é doloroso nem envolve exposição a radiação.

 

Exame de corpo inteiro

O exame de corpo inteiro (cintigrafia) é uma técnica imagiológica de diagnóstico, que utiliza uma câmara especial para criar uma imagem física de eventuais células cancerígenas no corpo, após a administração de iodo radioativo. Este procedimento pode ser utilizado para monitorização, após a ablação, e é muito similar à própria ablação. A diferença é que envolve uma atividade muito menor de iodo radioativo e, por isso, não é necessário permanecer na ala de isolamento. Este exame é geralmente feito juntamente com o teste de estimulação de Tg (veja a seção acima, Análises sanguíneas à Tg).

À semelhança da ablação, também na cintigrafia quanto mais elevados os níveis sanguíneos de TSH, melhor será a absorção de iodo por parte de eventuais células tiroideias remanescentes. Assim sendo, será necessário ou suspender a toma da hormona tiroideia em comprimidos, duas a seis semanas antes do exame; ou receber injeções de rhTSH.

Dois dias após a administração de iodo radioativo, é feito o exame de corpo inteiro. As áreas visíveis, onde existe uma concentração de radiação, mostram a presença de células da tiróide ainda ativas. Se isto acontecer, provavelmente o médico irá prescrever mais exames ou avaliar a necessidade de um tratamento adicional com iodo radioativo.

 

PET e raio-X

Se o médico suspeitar que as células cancerígenas atingiram outros órgãos, poderá pedir a realização de uma tomografia por emissão de positrões (PET) ou de um raio-X. 

 

Acompanhamento psicológico

Depois do tratamento, é normal sentir-se física e mentalmente esgotado. Um acompanhamento psicológico pode ser uma ajuda complementar ao cuidado médico que se recebe e pode ser útil procurar suporte adicional de grupos de apoio à pessoa com cancro. O contacto com outras pessoas que sofrem da doença ou que já passaram por um carcinoma da tiróide – por exemplo, através de grupos de apoio locais – pode ser uma grande ajuda, uma vez que elas saberão aquilo por que está a passar e poderão oferecer-lhe conselhos práticos. O seu médico também poderá ter conhecimento de recursos locais para acompanhamento psicológico.

O objetivo da terapêutica inicial é erradicar todas as células residuais da tiróide, através de cirurgia e da ablação, de modo a reduzir o risco de recidivas - locais ou distantes - e a prolongar a sobrevivência. A ablação aumenta a sensibilidade a eventuais exames subsequentes com iodo, bem como à monitorização de Tg, que ajudam o médico a assegurar que o carcinoma da tiróide foi destruído com sucesso.8 

 



1. Hay ID, Klee GG. Thyroid cancer diagnosis and management. Clin Lab Med.1993;13:725–734.
2. Perros P, Colley S, Boelaert K, et al. British Thyroid Association Guidelines for the Management of Thyroid Cancer. Clinical Endocrinology 2014; 81(Suppl.1):1–122.
3. Levothyroxine sodium patient leaflet. Electronic Medicines Compendium. Available from: http://www.nhs.uk/medicine-guides. Accessed December 2014.
4. Dow KH, Ferrell BR, Anello C. Quality-of-Life Changes in Patients with Thyroid Cancer After Withdrawal of Thyroid Hormone Therapy. Thyroid 1997;7:613-619.
5. Khang, et al. The risk of second primary malignancy is increased in differentiated thyroid cancer patients with a cumulative 131I dose over 37 GBq. Clinical Endocrinology 2014. doi: 10.1111/cen.12581. [Epub ahead of print].
6. Thyrogen Summary of Product Characteristics. Genzyme.
7. Banach R, Bartès B, Farnell K, et al. Results of the Thyroid Cancer Alliance international patient/survivor survey: Psychosocial/ informational support needs, treatment side effects and international differences in care. Hormones (Athens). 2013;12:428–438.
8. Pacini F, Schlumberger M, Dralle H, et al. European consensus for the management of patients with differentiated thyroid carcinoma of the follicular epithelium. European Journal of Endocrinology 2006;154:787-803.